domingo, 24 de abril de 2011

O tempo não para.

    Se pra você a vida corre, ás vezes eu a percebo parada, e por mais que eu ouça o "tic- tac" do relógio, eu sei que ela não evolui, não anda, está certamente estagnada.
   Eu ainda vejo o ônibus lotado andando e a obra da frente da minha casa cada dia mais perto do fim, mas ainda sim nada me convencerá de que a vida não parou.
   Vejo as crianças voltando da escola com a minha velha lancheira na mão, eu ouço mendigos bêbados cantarolando nas ruas atuais sambas do século XVIII. Eu sei! Eu sei que a vida parou!
   O despertador toca, o sol começa a passar pela persiana, que escurece ao máximo meu quarto barrando as luzes dos outdoors. Eu acordo dormindo, tomo banho dormindo, vou à escola e faço as demais atividades do dia dormindo, ao final, eu vou dormir dormindo.
   Meu sono é embalado pelo som das britadeiras do progresso, elas te acordam, te encomodam, mas para mim são cantigas de ninar. Meu sonho é profundo e tenro e ao invés de sonhar que estou acordado, eu sonho que estou dormindo, eu acordo que estou sonhando.
   Eu sou um feto de barba, cabelo e bigode, meu rosto e minhas mãos já sentem o pesar da idade. Mas eu anida nem acordei! E pelo visto, nem vou...

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