Eu ainda vejo o ônibus lotado andando e a obra da frente da minha casa cada dia mais perto do fim, mas ainda sim nada me convencerá de que a vida não parou.
Vejo as crianças voltando da escola com a minha velha lancheira na mão, eu ouço mendigos bêbados cantarolando nas ruas atuais sambas do século XVIII. Eu sei! Eu sei que a vida parou!
O despertador toca, o sol começa a passar pela persiana, que escurece ao máximo meu quarto barrando as luzes dos outdoors. Eu acordo dormindo, tomo banho dormindo, vou à escola e faço as demais atividades do dia dormindo, ao final, eu vou dormir dormindo.
Meu sono é embalado pelo som das britadeiras do progresso, elas te acordam, te encomodam, mas para mim são cantigas de ninar. Meu sonho é profundo e tenro e ao invés de sonhar que estou acordado, eu sonho que estou dormindo, eu acordo que estou sonhando.
Eu sou um feto de barba, cabelo e bigode, meu rosto e minhas mãos já sentem o pesar da idade. Mas eu anida nem acordei! E pelo visto, nem vou...
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